Conhecendo nosso vizinho Uruguai

Viagem ao Uruguai 2017

Preparativos

Esta viagem começou a ser planejada à bastante tempo. Lendo os posts no site Viajando de Moto, fico curtindo as viagens de mototurismo. Uma chamou atenção por ser bem leve e achei interessante. Era um viagem pelo Uruguai, nosso país vizinho que a algum tempo tenho curiosidade de conhecer melhor. Foi feita por um casal entrando pela fronteira oeste do Rio Grande do Sul, em Barra do Quarai. É uma fronteira pouco utilizada pelos viajantes de moto e poderíamos aproveitar para continuar nosso projeto de fotografar todas as prefeituras do Rio Grande do Sul (Valentes Fazedores de Chuva). Estudamos as opções, lemos roteiros e mais roteiros sobre viagens pelo Uruguai e após alguns ajustes, estava pronto para uma curta viagem de 8 dias. Os amigos viajantes mais experiente diriam que era uma viagem “coxinha” (termo utilizado pelos motociclistas para identificar os colegas que não são muito afeitos a rodar muitos quilômetros por dia, evitam chuva, rodar a noite…) mas a proposta era unir o útil ao agradável: rodar de moto e relaxar nas férias. Com o projeto pronto, era só esperar as férias. Devido a contratempos de última hora, decidimos cancelar a viagem em 2016, aguardando uma nova oportunidade. O projeto sempre vinha à mente quando lia sobre viagens de moto nos sites especializados ou em conversas com colegas que tinham feito alguma viagem ou estavam planejando mais uma. Com as férias confirmadas, hora de reativar o projeto. Revisando a planilha de viagem, utilizando uma muito boa disponibilizada pelo mototurista Ruba (https://www.youtube.com/user/rubarider), fomos acrescentando melhorias na proposta. Estava marcada a data para início de outubro. Iríamos solo, Dª Ingrid, a patrocarona, e eu. Aí surgiu o inesperado: em um jantar na casa da Janine, superamiga ligada à um grupo de amigos unidos pela paixão pelas motos, nossa segunda família, meu Xará Gerson Costi comentou que iria tirar uma semana de férias no início de outubro. Olhei para Ingrid e na hora foi feita a proposta: topam nos acompanhar na viagem? A Graça e o Gerson, surpresos com a proposta, ficaram de pensar. No outro dia a noite veio a ligação esperada. Convite feito, convite aceito. Viajar de moto solo tem prazeres e dificuldades. Viajar com amigos próximos intensifica o item prazer, sem acrescentar dificuldades. Pelo contrário. Começamos os acerto finais pois tínhamos 30 dias pela frente, que pela ansiedade, demorariam muito a passar.

1º Dia – Porto Alegre / Rosário do Sul (388 Km)

Na sexta feira anterior à partida tivemos chuva e o sábado amanheceu também chuvoso. Como tínhamos um compromisso no sábado pela manhã partimos após o almoço, com apreensão quanto ao tempo. Mas as nuvens foram dissipando, e a alegria de começar as férias só aumentava. A tocada foi tranquila, com o Costi puxando, conhecedor da estrada até Uruguaiana.

Já havíamos planejado chegar em Rosário do Sul ao final do dia e os 390 km foram tranquilos, com trânsito médio e um excelente final de dia nos aguardando. Pernoitamos no Hotel Areias Brancas, próximo à rodovia. Muito bom, sendo uma agradável surpresa. Sempre procuramos pernoitar em hotéis com garagem, para segurança das motos. A noite, jantar na Pizzaria Bittencourt, bem próxima ao hotel. Foi ótima a recomendação dos nossos colegas Paulinho e sua esposa Denise, que nasceu em Rosário.

2º Dia – Rosário do Sul / Uruguaiana (258 Km)

Depois de um bom café da manhã, motos carregadas, hora de partir. Entramos em Alegrete para fotografarmos a prefeitura. A Graça ligou para seu primo Márcio, e veio a informação: estava chovendo muito em Uruguaiana, com tudo que tem direito. Raios, trovoadas, vento forte. Finalizamos a colocação das roupas de chuva e fomos indo. O interessante é que em Alegrete estava 27ºC com céu parcialmente encoberto, sem cara de chuva. Voltamos para a estrada e na nossa proa o horizonte começou a ficar escuro, com uma faixa negra bem baixa. Quando encontramos as nuvens escuras, uma súbita diminuição de temperatura foi sentida. Os ventos começaram fortes e com eles a chuva. Diminuímos a velocidade e fomos tocando com cautela. Como a visibilidade estava boa continuamos assim até Uruguaiana. Chegamos no Tamandaré Iate Clube onde um churrasco nos esperava. Troca de roupa rápida no apartamento do Marcio e já estávamos nos deliciando com mollejas, chinchulin, assado de tiras, paletas de ovelha e vazios assados pelo João René. Umas cervejas geladas acompanharam o festival de carnes. Voltamos ao apartamento do Márcio, excelente anfitrião, para secarmos as roupas molhadas. A noite, para encerrar o longo dia, pizza com o Claudio e Maria do Horto, parentes da Graça.

3º Dia – Uruguaiana / Termas del Dayman (230 Km)

Pela manhã do 3ª dia, arrumação das bagagens nas motos e todos para o café da manhã na Rádio Charrua, que pertence à família da Graça. Seu bisavô, Juan Izidro Cobelli foi um desbravador, fundando a rádio em 1936, com todas as dificuldades da época. Pioneira na região, conserva um pequeno museu e foi muito interessante conhecer seu funcionamento e suas instalações. Uma pena que as rádios tradicionais estão perdendo seu espaço. Após o café da manhã, despedida do pessoal e toca para a prefeitura, com direito a foto para nosso projeto.

A passagem na fronteira, em Barra do Quarai, foi um marco no passeio, iniciando a parte internacional da viagem. Imigração rápida, com preenchimento dos dados pela atendente, bem simpática. Entramos na ruta 3 que iria nos acompanhar até Salto, mais especificamente a Termas do Dayman. A estrada estava boa, com tráfego bem leve para uma segunda feira. No primeiro abastecimento já deu para ver que a gasolina uruguaia é mais cara que a brasileira. Interessante notar que as motos não pagam pedágios no Uruguai. Passamos pela entrada das Termas del Arapey, nossa primeira opção. Foram bem recomendados os hotéis da região, mas além de caros e com pouca disponibilidade, decidimos andar um pouco mais, por ser próximo a Uruguaiana. Chegamos cedo no hotel Termas Posada del Siglo XIX. Havíamos reservado com certa antecedência devido à grande procura. Foi uma surpresa agradável. O hotel era muito confortável, com um parque aquático bem grande. A água chega do subsolo com uma temperatura de 47ºC, tornando os banhos super relaxantes. No almoço experimentamos a famosa carne uruguaia e a janta foi no próprio hotel, com preços um pouco salgados, mas estávamos em um resort. Rodamos 230 quilômetros hoje.

4º Dia – Termas del Dayman / Colônia de Sacramento (415 Km)

No quarto dia, amanhecemos com um café da manhã, medialuna, dulce de leche e mais uma variedade de coisas apetitosas. Motos carregadas, retornamos para a ruta 3, no caminho de Colônia de Sacramento. Neste trecho fui enganado pelo Google Maps. Foi sugerido uma rota que no dia indicava quase uma hora de ganho no tempo de viagem em relação a outra opção. Na época da preparação do roteiro, chequei as duas opções e a mais curta parecia ser a ideal. Engano nosso. A ruta 24 estava em obras em grande trechos, com muitos buracos. Mas o pior estava por vir. A ruta 55 era um buraco só. As Harley’s sofriam com o asfalto esburacado e muitas vezes até falta de asfalto encontramos. Foram 70 quilômetros a 60 km por hora, perdendo bastante tempo e tornando a pilotagem bem chata. Lanche próximo ao meio dia numa parada para abastecimento na saída da ruta 55 e entrando na ruta 21. Aí o asfalto ficou ótimo, sendo um passeio até a chegada em Colônia. Escolhemos um hotel bem próximo ao centro antigo ou cidade velha como é chamado o bairro. O hotel Beltran foi um escolha boa, com estacionamento e decoração retrô. Saímos para uma pequena exploração a pé próximo ao hotel e jantamos mais uma vez a carne uruguaia próximo ao hotel na Parillada El Porton. Aqui um fato curioso. Jantamos cedo normalmente e por volta das 19:00 horas começamos a procurar um restaurante aberto. Não encontramos. Haviam nos indicado esta Parrilla e fomos até lá. Estava às escuras, com alguma luz no fundo. Achamos que não abriria neste dia. Consultamos o site do restaurante e lá estava a informação que abria as 20:00 horas. Ficamos próximos esperando e exatamente as 20:00 horas entraram os funcionários e a casa abriu. Claro que lá dentro o assador já tinha as carnes assando mas interessante que os últimos chegaram no horário da abertura.

5º Dia – Colônia del Sacramento

No 5º dia passamos caminhando pela cidade. Muito interessante os pontos turísticos. A cidade foi colonizada por espanhóis e portugueses em épocas distintas e cada um deixou sua marca nas construções. Visitamos o farol onde depois de 120 degraus chegamos ao topo. Um vento muito forte dificultava nossa movimentação no já reduzido espaço no topo do farol. Uma rajada de vento e quase perco a pequena mochila que levo carregando as coisas necessárias para as caminhadas nas cidades. Almoçamos em um dos vários restaurante da cidade velha. Mais caminhadas na parte da tarde. Colônia de Sacramento vale muito a visita. Cidade pacata com ar nostálgico. Para quem quer ir a Buenos Aires, daqui sai o “buquebus”, navio que faz a travessia do Rio da Prata.

A noite um lanche rápido na rede La Passiva, encontrada em todo o Uruguai. Foram empanadas, chevitos e algumas Patrícias, bem geladas.

6º Dia – Colônia del Sacramento / Montevidéu (198 Km)

No 6º dia,café, motos carregadas e partimos para Montevideo. Na saída fizemos algumas fotos e combinamos abastecer na saída da cidade, onde tinha visto um posto em uma consulta ao Google Maps. Ou não vimos o posto ou saímos por outro lugar, e o resultado foi andarmos bastante antes de acharmos outro posto. Fica a dica: abasteça na saída de Colônia de Sacramento. Uma estrada fácil, bem asfaltada, com pista dupla em vários trechos e pouco movimento. Por volta do meio dia estávamos entrando em Montevideo. Pelo caminho que tomamos, a visão de Montevideo na chegada não foi das mais agradáveis. O hotel Days Inn Montevideo ficava em frente à rodoviária, num bairro sem muitos atrativos e com aspecto sujo. Para ajudar, o hotel confirmou que só poderíamos fazer o checkin as 14:00 horas. Fomos almoçar no shopping-rodoviária! Na volta, ainda esperando o quarto, a Graça e a Ingrid começaram a cochichar e olhavam o celular a procura de algo. Aí veio a proposta: em vez de ficarmos no outro dia parados em Montevideo, iríamos a Punta del Leste, que no nosso roteiro seria somente passagem já no retorno. E o melhor, acharam um preço bem razoável no Hotel Conrad! Reserva feita, cancelamento do segundo pernoite no hotel em Montevideo e o roteiro original estava modificado. Depois de alojados, partimos para conhecermos a cidade, fotos nos lugares pitorescos e a tradicional visita à loja da Harley Davidson de Montevideo. Preços salgados para os brazucas! A noite fizemos um passeio de turista. Conhecemos o bar Fun Fun. É um lugar muito interessante, mesmo voltado aos turistas. Uma dupla faz uma performance de músicas populares de cada país onde tem representantes na plateia. A parte engraçada é que em cada intervalo das músicas o cantor ameaçava cantar “Despacito”, a plateia vibrava mas acabou o show e nada do hit do momento. Aqui se encontra um dos menores palcos de tango do mundo. Um casal dança numa performance muito profissional e com um visual muito colorido e bonito. Peça o uvita , um drink da casa.

7º Dia – Montevidéu / Punta Del Este (145 km)

No dia seguinte havíamos combinado um passeio para conhecermos melhor a cidade. Optamos pelo ônibus de turismo estilo hop-on, hop-off. Durante 2 horas o ônibus passa pelos pontos mais característicos da cidade com fones de ouvido comentando sobre cada parada em varias línguas. Como fizemos o primeiro passeio do dia, iniciando as 10:00 hora, retornamos ao Mercado Del Puerto na hora do almoço. Nada melhor que experimentar a parrilla uruguaia. Assados de todos os tipos podem ser encontrados ali, assados na frente do freguês. O Medio y Medio é uma bebida servida no local. Meia porção de espumante e meia de vinho branco seco, servida gelada. Oferecem como brinde para chamar os clientes. A visita ao mercado é muito interessante, com visual peculiar e o aroma dos assados espalhados em todo o ambiente.

Voltamos ao hotel, carregamos as motos e partimos para Punta del Este. Estrada muito boa novamente, com pouco movimento. Chegamos ao Hotel Conrad e logo nos instalamos pois queríamos conhecer a Casa Puebla e a famosa cerimônia do Sol. É um passeio imperdível. Emociona a poesia e o visual do por do Sol, fora as instalações que são muito bonitas e peculiares. A noite resolvemos jantar no próprio hotel. Vale a pena a hospedagem no Conrad, já considerado uma atração à parte em Punta. Instalações muito confortáveis, gente bonita, decoração de muito bom gosto. Depois da janta um passeio pelo cassino, com um bom movimento já que era sexta feira. A Ingrid não podia perder a oportunidade de tentar a sorte nas máquinas caça-níqueis!

8º Dia Punta Del Este / Chui (232 km)

No sábado, 8º dia da viagem, após o ótimo café da manhã no hotel, saímos para passear pelos pontos turísticos de Punta. Fotos com os leões marinhos,no monumento Los Dedos e uma esticada até Pedro Inácio, passando pela ponte ondulada. Motos carregadas, e por volta do meio dia partimos para o Chui, não sem antes um pit-stop na sorveteria Freddo para saborearmos o famoso sorvete de “dulce de leche” (imperdível).

O tempo bom nos acompanhou neste dia embora o vento continuasse a nos empurrar, companheiro de todos os nossos dias de viagem.

Parada na estrada para um lanche rápido, onde comemos o melhor sanduíche de salame dos últimos tempos. A passagem na imigração para dar saída do Uruguai foi muito rápida, com a funcionária nem olhando para nossa cara. Chegamos a tempo de umas comprinhas no free shoping e uma passada na loja do nosso amigo Kalil, personagem conhecida no mundo Harley Davidson pelos eventos promovidos todos os anos no Chui. Hospedagem no Hotel Bertelli, nosso conhecido de outras viagens. A janta merece destaque: um filé à parmegiana sugerido pelo garçom que comemos com gosto, raspando os pratos, por sinal enormes.

9º Dia Chui / Porto Alegre (522km)

Domingo pela manhã, último dia de viagem. Motos na estrada cedinho pois queríamos chegar em Porto Alegre antes do movimento costumeiro de final de domingo. O vento este dia mostrou sua força, querendo nos empurrar mais rápido para casa. A passagem pela Reserva do Taim, sempre bonita, foi vencida com pilotagem difícil. Motos inclinadas, sendo arrastadas nas rajadas de vento, tornando cansativo esta parte da viagem. O banhado nos dois lados da pista apresentava ondas, tal a intensidade do vento. O capacete escamoteável abria a viseira nas rajadas mais fortes. Serviu para confirmarmos a necessidade da troca para capacetes mais adequados. Paramos em Pelotas para reabastecimento e comermos os famosos “doces de Pelotas”. O vento forte ainda nos acompanhou até próximo a Tapes. Depois foi substituído pelo calor, mas a tocada foi menos desgastante. A chegada em Porto Alegre sempre emociona com o visual das pontes e a visão da cidade deste lado do rio Guaiba. Paramos na entrada da cidade para a despedida depois de 2606 quilômetros rodados. Muitas experiências e sentimentos vividos nestes dias de ótima companhia. Como lição e dica para quem está planejando a sua: Vá logo, não espere um dia melhor, a troca da moto, uma desculpa qualquer. A vida passa e só depende da gente sair do sofá e deixar a preguiça de lado. Não haverá arrependimento.

Já planejando a próxima…

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