Rabo do Dragão

Planejamento

Começamos a planejar a viagem a algum tempo. Tínhamos algumas milhas para trocar e uns dias de férias. O destino seria definido com a oferta da companhia aérea. Como na nossa ultima viagem para os Estados Unidos desistimos de fazer o programa de moto em função da meteorologia, estávamos procurando uma alternativa onde pudéssemos fazer algum passeio. A algum tempo vinha lendo tudo que encontrava sobre “Tail of Dragon“. É uma trecho da US129, na divisa do Tennessee com a Carolina do Norte. São 318 curvas em menos de 20 quilômetros. É considerado o paraíso do moto-turismo, com fama mundial. Faltava convencer a carona, já preocupada com o numero excessivo de curvas e sabedora da paixão pela pilotagem esportiva da nossa “Negrona”. Ela continua levando sustos com o barulho das plataformas arrastando nas curvas!

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Com o destino da viagem escolhido com sendo New York, o passeio foi se materializando. Escolhemos New York pela distancia de Nashville , ponto de partida para o Deals Gaps e a região conhecida como Smokey Mountain . Confesso que a escolha foi um misto de conveniência/preço/desejo. Desejo de conhecer a capital da Country Music, preço pois o trecho New York/Nashville é muito bem servido pelas companhias americanas e conveniência por ficar a menos de 4 horas do nosso destino. Passagens compradas, hotéis reservados, moto alugada. O aluguel da Ultra foi feito na revenda Boswell’s Harley Davidson em Nashville, Tennessee. O roteiro montado com a ajuda do google maps e o Ride Planner da Harley.

1° Dia

Chegado o dia da viagem e como via de regra, na noite anterior, não dormi quase nada. Malas fechadas, ultima revisada no check list da viagem (utilizo o excelente Packing Pro, aplicativo para iPad, que ajuda muito) e vamos para o aeroporto. Porto Alegre/Rio de Janeiro/New York, com direito a 4 horas no aeroporto do Rio.

2° Dia

Chegada em New York tranquila, com passagem pela imigração bem rápida. As piadinhas do cara da imigração foram as de sempre: Comentários sobre o Brasil, se a mulher vinha fazer compras,etc. Tinha pesquisado pela internet e resolvemos experimentar o transporte para o hotel via ônibus. Utilizamos o NYCAirporter . Razoavelmente barato (U$ 16,00 por pessoa) levando em conta o numero de pessoas. A parte ruim foi após a chegada na Grand Station. Como eles tem uma central de distribuição deste local para os hotéis, ficamos 50 minutos esperando o nova van, com um frio de 7 graus. Ao menos tinha um solzinho para aquecer. Dali até a Penn Station foi rápido, 7 minutos. Outro problema solucionado pela internet foi a guarda da bagagem. Explico: estávamos com 2 malas grandes para trazermos algumas coisas para o neto que irá nascer em setembro. Combinamos deixar uma mala em NYC, evitando o transporte até Nashville. Depois do atentado de 11 de setembro, os aeroportos tem grandes restrições para armazenagem de bagagens. Estávamos saindo do aeroporto de Newark para Nashville, e lá não tem guarda malas. Achamos um no centro de New York, a U$ 10,00 por mala/dia. Caro, mas resolvemos nosso problema. Na próxima vez compro um mala por lá. Malas guardadas, saímos para umas voltas pela cidade. Destino: loja da Harley em Long Island. A loja é pequena, com poucas opções de roupas, mas com preços interessantes se comparada com a loja da Lexington Ave., próximo a 5ª Avenida. Acredito que por ser no centro, bem localizada, os preços são até 30% mais caros. Esta loja no centro não tem peças, somente roupas e afins. Final do dia, proa da Penn Station para tomarmos o trem para Newark. Como sairíamos cedo para Nashville, ficamos no hotel Best Western (rede com desconto para membros do HOG) próximo ao aeroporto.

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3º Dia

No terceiro dia da viagem saímos cedo do aeroporto de Newark para Nashville, via Southwest Airlines. Depois de 2 horas de um voo super tranquilo, pousamos no aeroporto de Nashville. Hora de procurar a locadora de carros. Aluguei um carro em Nashville para rodarmos um pouco pela cidade e deslocarmos aeroporto/hotel/aeroporto. O transporte publico não é muito fácil e de taxi gastaríamos mais. O aluguel de carros nos USA é muito barato e vale a pena. Hora de acharmos a loja da Harley. Como tinha levado o GPS Garmin (350ML) que utilizo no Brasil e já tinha preparado as rotas no Rider Planner, ficou fácil. Não fugindo a regra, nossa atendente na loja da Harley não era a pessoa mais simpática do mundo. Poucas palavras, sem achar muita graça nas piadinhas deste brazuca metido a engraçado. A primeira dificuldade foi na comprovação do tipo de habilitação que temos aqui no Brasil. Ela procurava onde estava escrito que tinha a habilitação para motos grandes. Depois de explicado que aqui não havia distinção, foi aceito. Como padrão, após toda papelada assinada e conferida, hora do test drive para comprovar que sabemos tocar a “maquina”.
Capacete coquinho (incluído no aluguel) a postos e lá vamos para o estacionamento. Alugamos uma Ultra preta, modelo 2011, que tinha 6000 milhas. Explicações de praxe e damos partida na maquina. Um pouco mais pesada que a Negrona, nossa Heritage aqui no Brasil, mas super dócil nas manobras. Já fui ficando entusiasmado com curvas e “oitos” no estacionamento. A Judy, que estava entregando a moto, fez sinal de OK, mas dava vontade de continuar testando ali mesmo a ciclista da Ultra. Deve ter pensado que este velhinho era maluco, não parando de fazer oitos no estacionamento!
Carro e malas no estacionamento da loja, mochila no bagageiro da Ultra, Dª Ingrid já contente com o seu capacete coquinho todo colorido, hora de iniciar o GPS com a proa da US129. Saímos ao redor de 10:30 local, um pouco mais tarde do que tínhamos planejado com um dia escolhido a dedo, como falamos aqui no Rio Grande do Sul. Céu azul, não muito frio, sem vento.Como a loja ficava bem próximo de uma auto-estrada, ficou fácil a saída. Já nos primeiro quilômetros, ou milhas como indicava o velocímetro, encontramos varias motos e todos, sem exceção, acenavam e cumprimentavam.
Que diferença do Brasil. Aqui, mesmo parando no sinal ao lado de outra moto, algumas vezes até uma Harley, o pessoal parece que nem vê, simplesmente ignorando. Foram varias as vezes em que cruzávamos com outras motos do outro lado das auto-estradas, com grandes canteiros centrais e o pessoal fazia de tudo para cumprimentar, com o tradicional WAVE: V com a mão para baixo ou qualquer outro sinal, mostrando uma grande afinidade naquele que, pelo menos pelo espirito de liberdade que o moto trás, passa a ser seu irmão. Já tivemos isto aqui no Brasil. Fomos perdendo a identidade ou o espirito de fraternidade. Ainda sonho em repartir este espirito com todos os irmãos sobre duas rodas, levando o espirito de liberdade como prioridade e modo de vida.
Copiei de um colega e é o que penso:
I personally wave to anyone and everyone who is on the road on two wheels. Harley, metric, sport bike, dirt bike..I don’t care what they are riding, as long as they are out enjoying the open road on two wheels. Numa tradução livre: Eu cumprimento a todos que estão na estrada em duas rodas. Harleys, speeds,bigtrails…eu não me importo com o que estão pilotando desde que estejam curtindo a liberdade numa estrada em duas rodas.
Fomos pela US40, uma estrada movimentada, com um visual muito bonito. Paramos para um lanche rápido num pequeno vilarejo, a algumas milhas da estrada. Típica saída de estrada americana: um posto de gasolina, 2 ou 3 lanchonetes próximas, um pequeno mercado. Aproveitamos para colocar as roupas mais quentes, pois estava esfriando. Saímos de Nashville com 15°C e já estava próximo dos 10°C. Tinha comprado uma calça de cordura da Harley e estava na hora do teste. Foi aprovada. Embora um pouco “dura”, protegeu bem do frio que encontramos mais para frente. Continuamos pela US40 até juntar com a US75. Depois, US140 até a US129. Parada para abastecimento em Maryville, já próximo ao inicio da parte sinuosa da US129.
As motos passaram a ser mais frequentes, sendo a maioria Harleys. Bem no inicio do Tail of Dragon paramos numa loja da Harley, (a 129 Harley Dragon http://harleydragon.com/). Comprinhas básicas, camisetas, chaveiros e ride bells para os amigos.
Agora finalmente começavam as curvas. O Tail of Dragon é uma parte da US 129 onde ficam concentradas 318 curvas em 11 milhas. Tocamos a Ultra escutando uma radio country da região, ajudando a criar o clima de liberdade e aventura. As motos speeds passavam no dois sentidos, não respeitando os limites de velocidade. Não encontramos nenhum carro da policia, mas soube por leituras durante o preparativo do roteiro que ela é bem controlada, assim não resolvemos arriscar. Eventualmente umas esticadinhas foram permitidas, pois ninguém é de ferro, principalmente com esta qualidade de estrada e este visual. Poderia ficar escrevendo sobre o prazer de pilotar uma moto nestas condições de estrada, visual, clima, enfim, todo um conjunto de sentimentos que levam o motociclista ao nirvana, mas acho que seria repetitivo e entediante. Um detalhe interessante são os fotógrafos profissionais que ficam em algumas curvas tirando fotos do pessoal passando. No dia seguinte é só procurar no site e escolher as melhores fotos. Muito profissional e a qualidade das fotos são excelentes. Quem sabe teremos algo assim na nossa Serra do Rio do Rastro em Santa Catarina ou em Apiai,SP, no Rastro da Serpente? Nosso mototurismo está crescendo e seria bom um empresario com visão proporcionar algo parecido.

Chegamos ao Deals Gap  ao redor de 16:00 horas. Esticada na perna, fotos, souvenirs, e decisão de continuar ou pernoitar. A proposta inicial seria fazer o programa básico, pernoitando no “point” onde todos param para lanchar, esticar a perna, confraternizar. Como estava cedo, decidimos continuar, prosseguindo em direção a Telico Plain. Fomos por uma estrada muito legal, a Cherohalla Skyway com varias curvas e sem movimento algum. O interessante é que começamos em Robinsville, com uma altitude de 2044 pés (623 metros) e chegamos ao topo com 5390 pés, (1642 metros), diminuído muito a sensação térmica. Chegamos a 2°C negativos. Durante todo o trajeto de 69 quilômetros cruzamos com poucas motos e carros. Encontramos 3 carros que estavam fazendo o circuito inverso pois já havíamos cruzado com eles no Tail of Dragon. Era um Porsche, um Mitsubishi e um terceiro que não identifiquei. Todos com Gopro’s instaladas para filmagem do trajeto. A propósito, também levei uma Gopro Hero 3 Black, e uma Canon G15 para as fotos. A Dª Ingrid fez bonito com as filmagens e fotos.
Havia pesquisado rapidamente sobre Telico Plain e ficou a ideia de que seria algo bem turístico, com varias pousadas, restaurantes, bares. Engano total. Chegamos na cidade as 19:00 horas, e não encontramos ninguém nas ruas. Nem para pedir informação. Acionado o GPS, opção hotel próximo. Tinha um Red Roof a 30 quilômetros, em Etowah. Chegamos escurecendo, muito cansados. Banho e restaurante indicado pelo Richard, atendente da recepção do hotel muito simpático. Quando falamos que éramos do Brasil, o assunto passou a ser futebol. Depois de uma costelinha de porco com molho barbecue, milho, batata e um cheese cake de sobremesa, estávamos prontos para uma noite de sonhos.

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4° Dia

No quarto dia de viagem, acordamos cedo. Café da manhã no hotel, com direito ao waffel que a Dª Ingrid adora. Fazia frio neste dia. Preparamos as bagagens na Ultra e a temperatura estava 1°C positivo. Com um sol já alto, iniciamos o retorno para Nashville. Estávamos indo na direção de Lynchburg, cidade onde é a fabrica do famoso Jack Daniels, via US45 e depois de Cleveland a US24. Estradas lindas, com bastante movimento, principalmente próximo as grandes cidades. Parada para abastecimento em mais uma saída padrão americano. Em um posto de gasolina, abastecemos a Ultra e os viajantes. Mesmo com muito frio, a necessidade de nos hidratarmos é grande. Sempre sinto muita sede pilotando.
Passamos pela entrada de Cleveland encontrando um trafego pesado. Muito caminhões mantendo uma velocidade bem acima do limite permitido deixavam o piloto meio preocupado em manter a restrição e ser ultrapassado pelos grandes “trucks” ou manter a velocidade e arriscar ser parado pelos “rangers” da Carolina do Norte. Seguimos de perto os “trucks”!  Passagem por Chattannoga e promessa de retornarmos com calma em outra oportunidade. Livramos a US24 pela saída 117 e encontramos trafego local. Tullahoma é uma pequena cidade, com casas muito bonitas, sem muro, com o jardim terminado na estrada. Que saudades do Brasil com suas casas entrincheiradas entre muros altos com cerca elétrica e arames farpados (NOT!!!).

Continuamos até Lynchburg, cidade onde fica localizada a destilaria do nosso conhecido Jack Daniel’s. Visitamos a fabrica mas ficamos decepcionados por não haver a famosa loja de souvenirs após as atrações como sempre encontramos nos USA. Pretendíamos levar alguma coisa para os amigos, mas nem um chaveiro, camiseta, nada a venda.
Saímos de Lynchburg com o GPS apontado para Nashville. Estávamos preocupados com o horário. A loja onde alugamos a Ultra fechava as 17:00 horas e queríamos aproveitar para comprar algumas camisetas, casacos e mais alguns presentes. O preço era melhor que o da loja de Downtown em New York. Resolvemos tocar sem almoço. O GPS desta vez nos pregou uma peça, levando pelo traçado mais perto, porem com muitos sinais e trafego pesado local. Depois de pegarmos a auto-estrada, outra preocupação: nuvens escuras na nossa proa. Não fico muito preocupado em encarar uma chuva, mas estávamos sem nossas capas pois quanto alugamos a moto pela internet, constava a inclusão de capacetes e capas. Na preocupação em sair logo no primeiro dia, esqueci de pedir as capas. Porém São Pedro deu uma força. Chuva bem leve na chegada, a uns 10 minutos da loja. Parada para abastecer e estávamos de volta a Boswell’s Harley Davidson Dealer. Devolução da moto muito rápida e já liberados para as compras. Mesmo ficando por pouco tempo com a Ultra, já estamos com saudades e planejando a próxima. Combinamos que será mais demorada, para curtirmos mais a paisagem, mais paradas para fotos, filmagens e sem tanta correria. Dentro da loja tem um restaurante bem legal onde almoçamos. Comida boa e barata, com a companhia de outros harlistas. Terminada as compras e aqui termina nossa passeio motociclistico. Quem estiver interessado em mais detalhes sobre o resto da viagem, será um prazer a companhia.
Pegamos o carro que tínhamos deixado no estacionamento da Boswell’s e seguimos para o Motel 6 que havíamos reservado. Inicialmente ficaríamos no Best Western no centro de Nashville. Mas aqui não valeu a mesma tática de New York. Deixamos para reservar mais próximo de viagem e o preço disparou. Não estavamos disposto a pagar U$ 280,00 por uma noite. Como resultado, escolhemos o Motel 6 próximo do aeroporto, pela conveniência pois sairíamos cedo pela manha e o preço. Fuja desta opção. Hotel pouco cuidado, sujo, barulhento e com hospedes com aparência questionável. Quase trocamos, mas como seria para uma noite, encaramos. Banho e vamos para o centro. Havíamos pesquisado que tudo acontece na Broadway Street em Nashville. Estacionamento próximo a U$ 15,00 pago ao flanelinha (sim aqui também tem) e vamos para a noite. Algumas lojas de chapéus e botas de cowboy, com todos os tipos e modelos, as já conhecidas lojas de souveniers e os bares. Este são muito interessantes, estilo Honky-tonk. Todos com suas bandas tocando o dia todo. O legal é que podemos nos divertir muito escutando boa musica country (Nashville é o paraíso deste estilo). Encontramos bares com 3 pisos, cada um com sua banda. Não é cobrado para entrar, somente o que for consumido. Jantamos no Rippy’s Ribs & Bar-B-Q. Ótima comida, acompanhada por uma banda muito legal, muito bem frequentado e uma garçonete super atenciosa, muito simpática e bonita. Até a Dª Ingrid elogiou. A gorjeta foi boa.

Depois de alimentados e com as comprinhas de souvenirs na bolsa, hora da diversão. Fomos conhecer os outros bares. Cada um com uma banda mais legal que a outra. Acabamos no Seanachie. São 3 andares de ótima diversão, bem freqüentado, pessoas super animadas, dançando em frente ao palco ao som do mais puro country music.
Foi um final de noite muito interessante, fechando a passagem por Nashville com chave de ouro. Mais um lugar para voltarmos, preferencialmente com amigos.

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5° Dia

Na manha do 5º dia saímos cedo do hotel em direção ao aeroporto. Mais uma vez o GPS foi de grande valia. Mesmo sendo bem próximo do aeroporto e as estradas bem sinalizadas, a saída do hotel até a estrada foi muito facilitada pelo GPS. Chaga ao aeroporto, a procura pelo estacionamento da locadora foi bem fácil por ser bem sinalizado. Entrega rápida e fomos ao balcão da empresa aérea para o check-in. Como estamos atrasados no Brasil. Em menos de 2 minutos já estávamos liberados, com malas despachadas e cartão de embarque na mão. Ao passarmos pelo controle do TSA (Transportation Security Administration), fiquei apreensivo por estar levando uma placa metálica que não coube na mala. Tinha aproximadamente 1,20 metros por 15 centímetro, um letreiro de propaganda da Harley. Foi comprado numa loja de souvenirs e estava indo para decorar uma parede lá de casa. Passamos sem o menor problema. No embarque para o Brasil, no aeroporto de New York (JFK) nova apreensão e mais uma vez nada foi questionado. Claro que no embarque em São Paulo para Porto Alegre, o agente de segurança questionou o que seria aquela placa. Não aceitou como bagagem de mão por ser um artigo suspeito. Argumentei que tinha embarcado por 2 vezes nos Estados Unidos, pais conhecido por sua rigidez na fiscalização pré embarque, mas de nada adiantou. O argumento era que estava seguindo regras e era para minha segurança. Os colegas aeronautas que por ventura estiverem lendo sabem bem do que estou falando. Quase perdemos o voo para despachar a placa.

Nosso retorno para New York foi pitoresco. Uns 20 minutos após atingirmos o nível de cruzeiro, speech rápido do comandante informando que faríamos um pouso em Philadelphia por razões de segurança. Embora seja minha profissão, sempre existe a apreensão do desconhecido. Um indicador importante é o estado emocional dos comissários. Como todos estavam rindo, descontraídos, relaxamos. Desembarque no Philadelphia International Airport, com speech da comissária informando que trocaríamos de aeronave. Aparentemente uma pane, sendo necessário a substituição. Em menos de 50 minutos já estávamos taxiando para nova decolagem para New York. Pousamos em Newark novamente e desta vez decidimos ir de ônibus até a Penn Station. Mais um demora estava por vir. Depois do embarque, atendidos por um motorista super mau humorado, paramos em um segundo ponto de embarque. Uma van de transporte interno do aeroporto, numa manobra rápida e descuidada arrancou o espelho retrovisor do nosso ônibus. Confusão armada. Desembarca, aguarda policia, volta a embarcar. Como resultado final, chegamos 3 horas atrasados no nosso hotel.

Ficamos desta vez no The Milford Hotel. Super bem localizado, logo acima dos teatros da Broadway. Já na chegada a Dª Ingrid correu para um autografo do Tom Hanks (www.luckyguyplay.com) que estava com uma peça no teatro bem abaixo do hotel. Uma característica interessante sobre os hotéis em New York: diferente de qualquer lugar onde já pesquisei, os hotéis em NYC se assemelham a bens perecíveis. Quando estava pesquisando onde ficaríamos hospedado, fazia simulados e os preços eram bem altos. New York é uma cidade cara, mesmo fora da alta temporada. A diferença é que quando simulava uma data bem próxima, no mesmo dia ou no próximo, os preços despencavam. Comecei a pesquisa em janeiro quando um colega havia chegado de viagem e recomendado este hotel. Os preços para abril, data da nossa viagem iniciaram com U$ 370,00 a diária. Pagamos U$ 118,00, fazendo a reserva um dia antes da viagem. Havia o risco te não haver vagas ou mesmo o valor estar mais alto. Arriscamos e deu certo.

Instalados no hotel, banho rápido e já para rua, bater pernas. Comprinhas para o futuro neto, caminhada pelo Times Square para matar a saudades e para finalizar uma super pizza no John’s Pizzaria (John’s Pizzeria 260 W 44th St, New York, NY 10036, United States http://goo.gl/maps/25Liv). Lugar muito agradável, com pizza honesta, boa e barata. Depois deste dia cheio, nada como uma cama estilo americana, grande e fofa, aconchegante como classifica a Dª Ingrid, para terminar o dia.

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6° Dia

Acordamos cedo para um breakfast no Dunking Donuts . Gosto de comer como os locais nos lugares onde viajamos. Conhecer a cultura de outros países passa pela cozinha, outro hobby. Tenho colegas de profissão e amigos que viajam ao exterior que procuram restaurantes brasileiros ou semelhantes, pedem guaraná e depois reclamam que estava diferente do Brasil.
Passear em New York é uma das coisas que todos deveriam fazer uma vez na vida. Existem inúmeros sites na internet com dicas e sugestões e não é nossa proposta aqui detalhar os lugares à visitar. Depois de um dia cheio, com mais algumas compras, almoço em uma cantina no bairro italiano (Little Italy),passeios por Chinatow e mais uma vez matar a saudades. Aqui um parêntese: moramos 3 anos e meio na China e foi uma grande experiência. Algum dia termino os escritos e organizo as fotos desta vivência que deixou saudades. Como estamos em um mundo cada vez mais globalizado, tive a grata satisfação de encontrar dois grandes amigos graças as novas mídias sociais. Na noite anterior, ao fazer o check-in na pizzaria da janta, para que os filhos que ficaram no Brasil soubessem onde estávamos, o Enio Bassi, comandante da Asiana, antigo colega da Varig, deixou recado informando que tinha chegado a New York a pouco. Combinamos um encontro para o próximo dia. Final de tarde jogando conversa fora com um amigo que não via a bastante tempo, tomando cafe em New York, com a Dª Ingrid:sensacional! As pessoas reclamam das redes sociais, mas elas podem aproximar as pessoas.
Para finalizar o dia cheio, jantar no Bubba Gump Shrimp Co. da Times Square (http://www.bubbagump.com/locations/new-york-city/)
Para quem não conhece, é um restaurante temático, onde, como o nome diz, o forte é o camarão. Peça o Shrimper’s Heaven. Parece uma contradição visitar um restaurante para turista quando mencionei que gostamos de conhecer a culinária local, mas este faz parte da “paisagem” do Times Square. Cerveja gelada, camarão a vontade, boa combinação para terminarmos o dia.

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7° Dia

No dia seguinte foi a vez do Fernando Difini, também comandante da Asiana e ex-Varig. Quando existe empatias com algumas pessoas, ela se manifesta de forma inesperada. Combinamos encontro em frente a um antigo restaurante ( Carmine’s) que freqüentávamos quando vínhamos a New York. Como acordamos cedo e tínhamos um tempo sobrando, fui ao Best Buy comprar alguma coisa que estavam faltando. Quem encontro? Cmte.Difini. Eita mundão sem porteira. Saímos para bater perna em Downtow. Despedida no final de tarde e apostas onde nos encontraríamos na próxima vez. Dia de lanche rápido a noite na rede italiana de fastfood Sbarro. Comida plastificada mas honesta. Direto para o hotel, pois caminhamos todo o dia e estava,os exaustos.

8° Dia

No dia de regresso tínhamos a manha livre. Amanheceu um dia ensolarado para nos dar despedida. Caminhada sem rumo, matando o tempo, olhando vitrines e almoço no Junior’s , ao lado dos teatros. Bem freqüentado, comida razoável. Pedi umas costelas de porco com batatas e Dª Ingrid uma Ceasar Salad. “Lagarteamos” no sol como falamos aqui no Sul em plena Times Square, digerindo o almoço. Só faltaram as bergamotas. Hora de iniciar a volta. Desta vez usamos o serviço do SuperShuttle. Já havíamos saído do Brasil com o pacote reservado. Como das outras vezes que usamos, serviço simples, mas que funciona. Aqui mais uma coincidência. Estamos no lobby do hotel aguardando a chegada da van quando observo de longe uma pessoa aparentemente conhecida. Comentei com a Dª Ingrid que parecia um colega. Cheguei mais perto e ERA o colega. Nunca havia ficado neste hotel, nem ele. O Cmte Rufino estava retornado ao Brasil com sua esposa depois de uma breve estada em New York. Mais uma vez confirmo que o mundo esta pequeno. A ida ao aeroporto demorou um pouco mais que o previsto, com grandes congestionamentos, embora não fosse horário de rush. Mas como tínhamos saído com antecedência, deu tudo certo. Atendimento rápido no check-in da TAM e passagem também rápida pelo controle do TSA, mesmo com a enorme placa da Harley!
A volta ao Brasil foi tranquila, sem outros percalços. Na chega em casa, ao desfazermos as malas, a saudades dos passeios de moto já nos levam a iniciarmos o planejamento da próxima viagem. Ushuaia ou Rota 66? Deserto do Atacama ou Península Ibérica? Sonhar não custa nada e procuro levar a vida com a máxima dos Fazedores de Chuva (www.fazedoresdechuva.com) cujo lema é : Qualquer um pode fazer, porem, poucos o fazem! Até a próxima viagem.

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